
Parecem mesmo remanescentes que vivem entre lendas e mitos, passado e presente, os personagens que Alvaro Villela fotografou no Raso da Catarina, um lugar tão distante de nós quanto nós mesmos estamos distantes de um Brasil que, quiçá, sabemos que existe. São eles que nos falam com seus olhos de silêncio de um veio de realidade que ali existe tão próximo, nas terras da Bahia. E qual é mesmo a Bahia da qual ouvimos falar? Não, desses personagens não se fala. Eles vivem arrodeados de si mesmos. Diante do pequeno e do grande outro dos quais não temos notícias. Ao assentar esse povo em suas fotografias, Alvaro Villela eterniza um documento e põe diante de nós as mesmas velhas questões com as quais, possivelmente, deixaremos essa vida: Quem somos? Para onde vamos? De onde viemos?
Diógenes Moura
Curador de Fotografia da Pinacoteca de SP